“Sem rede”, notas da construção de um espectáculo

Desde 3 de Setembro estamos em palco na construção do novo espectáculo da Companhia de Teatro de Sintra.
A Ana saragoça escreveu o texto em diálogo final com o Manuel Sanches, o dramaturgista habitual da Companhia.
No palco estão os actores Alexandra Diogo, Nuno Machado e Susana C. Gaspar, assinando a encenação João de Mello Alvim.
A equipa completa-se com António Casimiro(cenografia);André Rabaça (designer, iluminador e técnico de Luz e som); Nuno C. Pinto (director de produção);João mais (assistente do encenador); Cristina Costa (secretária de direcção e produção) e Pedro Tomé (Assistente de montagem).

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Experiência para a imagem final

Cartaz versão 7 rgb

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Esboço do cenário

esboço cenário

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Questões sobre o universo de Alice

Há maturidade na personagem?
Não é uma mulher amarga, não é mesquinha.
Dar-se-á a pequenos confortos inocentes?
Não há referência, mas parece acreditar inequivocamente em ideais completamente fora do seu tempo de juventude/ anos 80. A defesa “inflamada” daqueles ideais pertenciam a gente mais velha.
O pessoal mais novo, das juventudes partidárias dos anos 80 acreditava nos ideais, mas vivia mais “preocupado”, em alguns núcleos, com a não formatação no sentido da vida burguesa, (e com a Festa do Avante; que giro ser hippie durante um fim de semana!), acabando com essa preocupação excessiva por ser eles formatadíssimos e sectários.
O seu discurso parece-me extemporâneo.
Ou a acção poderá não ser a actual.
Mas assim, a intensidade dos problemas sociais que surgem, por parte de qualquer das personagens ainda não teria a intensidade que lá está marcada.
Alice é esquiva no amor?
Solitária? Possivelmente.
Não parece chegada à família; nem aos pais, nem à irmã.
Há um passado com a irmã que deixou grande “nódoa negra sentimental; que a poderá ter “empurrado” para um caminho errado conscientemente.
Haverá uma “culpa” nesta mulher que ela não se perdoa e que a acompanhou no seu percurso de vida.
Afirma-se como “mulher livre” ao conversar com a filha quando descreve seu passado. Será?
Questiono-me como deverá ser feito este descrever do seu passado à filha, se for este o caso.
Seria provável que já o tivesse “estudado”?
No reencontro com Bruno, procura/espera, saudosa, cumplicidades.
No seu percurso de vida não houve nada/ninguém que lhe preenchesse aquele concreto vazio.
Daqui, questiono-me sobre o evoluír da agressividade com ele, pela frustração.
O seu passado estará longe de ter sido ultrapassado?
Há uma projecção de si, objectivo de vida= Filha?
Aparenta mais juventude que a filha porque deseja dar lição de crença positiva na vida e no futuro que pressente que a filha também não tem?
Isabel, com 23 anos, parece não ser “comodamente” tão madura como seria comum na sua idade. Está apoiada na mãe.

(Alexandra Diogo)

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“Falhamos mutuamente num país que já não nos oferece chão, nem rede”

«Em muitos casos, rapidamente os miúdos se sentirão pressionados para a excelência, o mundo não é para gente sem sucesso. Vão ter que adquirir competências, muitas competências, em variadíssimas áreas, porque é preciso ser bom em tudo e é preciso preparar para o futuro, curiosamente, descuidando, por vezes, o presente.
E vão também começar a perceber como anda confusa a cabeça dos adultos, como estamos sem perceber o nosso próprio presente e com dificuldade em antecipar o futuro, que será o presente deles. Vão, parte deles, desaprender de rir, de se sentir bem e de brincar, a coisa mais séria que sempre fizeram. Vão ouvir cada vez mais frequentemente qualquer coisa como “não podes fazer isso, já és uma mulherzinha, ou um homenzinho”, como se as mulherzinhas e os homenzinhos já crescidos não fizessem asneiras. Vão conhecer tempos em que se sentem sós e perdidos com um mundo demasiado grande pela frente.
Mais cedo ou mais tarde, alguns deles, vão sentir uma dor branda que faz parte do crescer mas que, às vezes, não passa com o crescer. Também sei, felizmente que a grande maioria vai continuar a sentir-se bem, por dentro e para fora.
Pode parecer-vos um pouco estranho, mas gostava que a estes miúdos que agora vão começar “a escola”, tal como aos outros que já a cumprem, lhes apetecesse “fugir para a escola” e que nós possamos ser capazes de lhes dizer “Cresçam devagarinho, não tenham pressa”.
É que depressa e bem, não há quem, como se costuma dizer.»

Artigo de opinião de José Morgado
09/09/2013, Jornal Público
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/vai-comecar-a-escola-1605274

Vão sentir uma dor branda que faz parte do crescer mas que, às vezes, não passa com o crescer.
Parece-me que se existe veracidade nesta frase então será o caso da Isabel. Uma dor branda que a fez desmotivar perante a escola/os estudos, que a obrigou a negar os sonhos e a guardar dentro de si a ambição da fuga. Parece que o único brilho surge na perspectiva de se imaginar “lá fora”. De resto, mantém-se na sombra. Nas mensagens escritas, no facebook, nas pizzas com os amigos. Isabel fez um curso a custo, escolhido pelo facilitismo da entrada. Tentaram vender-lhe a ideia de excelência, de “exigência”, de que temos de ser bons em tudo. A escola falhou com a Isabel. Falhou com o país. O pais falhou com a escola. Falhamos mutuamente num país que já não nos oferece chão, nem rede. Na verdade, sem darem conta, estão a ensinar-nos apenas sobre equilibrismo. Como poderemos nós – esta geração da Isabel e todas as outras – não conhecer o cansaço?

Isabel: Terminei o curso agora. Tenho direito a uma pausa

(Susana C. Gaspar)

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Foto de ensaio

Sem rede_ensaio_2

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