Em Março volta o Periferias

O Festival de Artes Performativas em Sintra – Periferias, que teve a primeira edição em 2012, é como um rio que tem a sua nascente na dinâmica criativa do Chão de Oliva, e os afluentes nos vários ciclos, mostras, encontros e festivais que, ao longo de 25 anos, esta Associação Cultural organizou. O Periferias é assim um trajecto enérgico de confluências organizacionais e artísticas, sustentado por uma maturação cultural conquistada paulatinamente. Nasceu quando o tempo lhe deu tempo, transporta a experimentação do passado e move-se, inquieto, em direcção à foz do futuro.

Desde os “Ciclos de Teatro Vicentino” (1987), ao Festival Internacional de Marionetas em Sintra (2008), passando pela “4 Estações-Mostra de Dança Contemporânea em Sintra” (2002), a vocação pela transversalidade artística em forma de evento, qualifica o percurso do Chão de Oliva, sem beliscar a sua raiz matricial, a criação teatral protagonizada pelos seus dois grupos residentes, a Compª Teatro de Sintra e o Fio d´Azeite – Grupo de Marionetas.

Pelas suas características de transversalidade artística (teatro, marionetas, dança, música e performance) e convocação de grupos e criadores instalados fora da macrocefalia de Lisboa e nos países de língua oficial portuguesa, o Periferias é um festival singular no panorama português. Por outro lado é um festival que não quer ficar pelo efémero da programação, mas ser um tempo e espaço na mostra e construção de um arquivo das artes performativas produzidas nas regiões periféricas, assim como estimular a convivência entre criadores; a heterogeneidade de propostas; a formação de públicos; a edição dos documentos provenientes da reflexão; e a potenciação de um interface para a posterior circulação nacional e internacional de espectáculos.

Com o Periferias, o Chão de Oliva continua assim a sinalizar os componentes diferenciadores do seu percurso. Prossegue a indagação e o (re)desenhar de uma alternativa estética aos modismos de ocasião. Continua o desiderato de esbater as assimetrias geográficas e culturais, através da partilha de outras experiências solidificando um caminho coeso, credenciado e inovador. Destaca uma oferta artística que, pela sua conjugação e imanência, espelha e interfere na realidade social ao nível estético e assegure uma programação permanente, e diversificada, na área das artes performativas, tendo Sintra como centro mas propagando-se para muito para além desta região.

Periferias_13

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