Compª Teatro de Sintra, no Brasil

A Companhia de Teatro de Sintra, vai estrear a sua última produção (65ª), “A Patente” a partir de Luigi Pirandello, no VI Circuito
de Teatro em Português, que se realiza em S. Paulo, no Brasil.

A estreia na Casa de Teatro de Sintra, será a 25 de Novembro.

No programa do espectáculo, pode-se ler um texto de Manuel Sanches e Carla Dias “acerca do processo artístico da Companhia de Teatro de Sintra a partir da “Patente” de Pirandello”

 

(…) representamos os mais diferentes
papeis, pobres marionetas nas mãos de um destino cego”

Luigi Pirandello

 

Deparamo-nos pois com os atores, que procuram as personagens, “que procuram um autor”, que se procuram… e ficamos na forma indizível de nunca sabermos ao certo onde nos situamos, como nos colocamos – em cena e na vida.

Talvez Pirandello tenha procurado na loucura o verdadeiro louco, na personagem o ator, no texto o autor que nunca quis ser só ele próprio mas todos os que quis representar e viver.

Dizem que quem vive com loucos se torna mais lúcido, e ele – Pirandello – que permaneceu como que intacto às agruras da vida, contou na escrita o “Chaos”[1] interior em que todas as personagens mergulham. Identidades à procura de si próprias.
“Patentes” por preencher nos “formulários” quotidianos.

Os actores entram na cena, que já era, antes de ser –  (será um ensaio?)

Vive-se a representação como quem improvisa a vida. Improvisa-se a vida como fuga a uma representação que teima em ser solitária – sem papéis definidos, sem equipa que os valha.

O autor morreu, o encenador não aparece, e a equipa só canta uma música estranha teclada num piano impossível. Uma voz vem da “régie” como se fosse o deus que nos esqueceu. Resta a tal solidão – a do actor sem rede, sem meios, sem saber
que personagens vai representar, que vidas vai ter, no palco e na vida.

Permanece um rasto a inacabado, de texto por dizer, de cena por fazer.

Será vida? Será improvisação? Será representação?

“E se hoje fingirmos que já é amanhã? “[2]

 

 

Manuel Sanches
e Carla Dias


[1]    Chaos – aldeia de Agrigento (Sícilia) onde
Pirandello nasceu

[2]    Excerto retirado do guião da peça “A
Patente” a partir de Luigi Pirandello pela Companhia de Teatro de Sintra

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